espelhos


ORAÇÃO  DE  LAVRADOR  


Abençoa oh! Terra querida
as mãos que lhe deposita os grãos

Louva oh! Terra bendita
a alma que lhe fecunda o ventre

Suporta oh! Terra querida
o corte que lhe faz o broto

Acolhe oh! Terra bendita
o rasgo que lhe faz a raiz

Ampara oh! Terra querida
o tronco que lhe pede sustento

Regozija oh! Terra bendita
com as flores que lhe enfeitam o chão

Amadurece oh! Terra querida
o fruto da gesta do pão

Exalta oh! Terra bendita
os pés que lhe colhe os frutos

Repousa oh! Terra querida
da gestação e da nossa vida

Abençoa oh! Terra bendita
a alma que sacia a tua lida

Louva oh! Terra querida
o lavrador na oração de cada manhã:

Abençoada e louvada seja
sagrada terra do sertão

Peço licença entoando essa canção
prá humildemente lhe depositar essa semente

O pão nosso de cada dia
é o bendito fruto do vosso ventre

Perdoa oh! Terra nós pecadores
por nos deixarmos cair em tentação

Perdoa-nos oh! Mãe Terra
por lhe trairmos nas depredações

Acolhe em teu ventre a insensatez humana
perdoa-nos e faça florir nossos áridos corações

Abençoada e louvada seja
a sagrada terra do sertão

Abençoada e louvada seja
abençoada e louvada seja, amém.

Gilberto de Castro Rodrigues

 



Escrito por bruxa aprendiz às 11h04
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LOIS LANE
 
Você chega com ares de importãncia,
como se me tivesse criado agora,
tola e sem história.
Pensa, em vão, impressionar-me com seus poderes banais
exercitados, com sucesso, para expectadores convencionais.
Mas estou longe...
Meu barco louco, enfeitado de bandeiras multicores,
navega oceanos de espelhos,
sem porto de partida ou destino fixado;
meus escafandros mergulham profundezas impossíveis
e os meus balões fugitivos voam tão alto quanto o infinito;
meus passos buscam as nascentes,
pisando pedras como se fossem nuvens,
guiados pelos olhos cobiçosos de horizontes ainda não desvendados;
minhas mãos são cúmplices de estrelas.
Transito latitudes e longitudes da alma, gerando-me ser ambíguo:
face e reflexo, anjo e demônio, sempre mulher.
Ah, super-homem... para sensibilizar-me
não fale nada. Fique calado. Ou chore. Ou dê uma sonora gargalhada.
Seja apenas humano desta vez.
 
Marisa.


Escrito por bruxa aprendiz às 12h52
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